Check-up médico pós-covid: Entenda porque é importante

Fadiga persistente, falta de memória, arritmia, perda de olfato e de paladar. Um ano após o início da pandemia do coronavírus no Brasil, já sabemos que essas são algumas das sequelas que podem continuar a acometer o dia a dia de quem apresentou um quadro de COVID-19. Além da possibilidade de o vírus afetar órgãos como coração, pulmão e rins. Tal cenário leva muitas pessoas a se perguntarem se devem fazer um check-up médico pós-covid, que especialistas procurar e quais exames devem ser feitos. 

Entenda em quais casos a avaliação médica é indispensável e como procurar ajuda especializada. 

Check-up médico pós-COVID: Como proceder

COVID-19 é uma doença que desencadeia processos inflamatórios por diversos órgãos do corpo. Assim, mesmo após o vírus deixar o organismo, podem permanecer sequelas espalhadas por regiões como coração, pulmão e cérebro por meses. Até mesmo em pessoas que tiveram a forma mais leve da doença. 

Portanto, de maneira resumida, pacientes recuperados de coronavírus devem fazer um check-up e procurem um médico de confiança. Pois, apenas um profissional pode fazer uma avaliação mais profunda e até mesmo indicar, se necessário, o encaminhamento para outras especialidades. Ou seja, vai depender dos sintomas e efeitos colaterais apresentados. 

O objetivo do acompanhamento pós-infecção é identificar e tratar possíveis sequelas que o coronavírus possa ter causado na saúde dos pacientes. 

Essa primeira consulta pode ser feita com um clínico geral, infectologista ou médico de família, por exemplo. Geralmente, para quem apresentou sintomas leves da doença, uma consulta clínica e um exame físico já são suficientes. Além disso, em casos de pacientes mais graves, em que houve a necessidade de internação ou até comprometimentos de algum órgão, é essencial que exames mais específicos sejam feitos para se avaliar o grau da infecção. Nesse sentido, é importante que o médico que deu a alta do paciente faça essa orientação de quais especialidades procurar.

Saúde mental

Do ponto de vista neurológico, os impactos da COVID-19 seguem sendo estudados. Mas, dados preliminares de um estudo conduzido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sugerem que a Covid-19 – mesmo nos casos leves – pode alterar o padrão de conectividade funcional do cérebro, causando uma espécie de “curto-circuito” no órgão. As conclusões se baseiam em exames de ressonância magnética funcional (com sequência de repouso) feitos em 86 voluntários que já haviam se curado da infecção há pelo menos dois meses. Os resultados foram comparados com os de 125 indivíduos que não tiveram a doença e serviram como controle.

Assim, alguns sintomas após a recuperação podem aparecer, como perda de memória a curto prazo, cefaleia e sensação de formigamento/calor nas pernas e braços). Dessa maneira, caso a pessoa tenha algum desses sintomas deve passar pela avaliação de um neurologista.

Da mesma maneira, a saúde mental também merece uma atenção especial após a infecção. Especialmente para acompanhar sintomas como dificuldade de atenção, insônia e sintomas relacionados à ansiedade e depressão. 

Quais exames são necessários?

Os exames indicados no check-up podem variar de pessoa para pessoa. Mas, quem teve sintomas leves da covid-19 deve fazer exames clínicos e laboratoriais como o hemograma completo com diferencial de leucócitos e contagem de plaquetas, por exemplo. Já nos casos moderados, exames de imagem podem ser solicitados, como ecografias, ecocardiogramas ou tomografias. 

Check-up x retomada de atividades físicas 

Para a retomada ou o início de exercícios físicos após um quadro de covid-19 não deve ser feita sem um check-up cardiológico. Pois, inclusive em pacientes que apresentaram sintomas leves, é possível que o vírus cause alguma sequela no órgão, que pode levar a complicações e até à morte.

A recomendação foi feita pelas Sociedades Brasileiras de Cardiologia (SBC) em parceria com a Sociedade de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). As entidades se uniram para elaborar um documento com base em estudos que apontaram a relação entre a infecção pelo vírus e problemas no coração. Segundo o documento, arritmias, miocardite e insuficiência cardíaca estão entre complicações que podem aparecer.

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