Covid-19 assintomático e pré-sintomático: qual é a diferença?

A afirmação da OMS (Organização Mundial de Saúde) de que a transmissão da Covid-19 seria pouco provável por meio de um caso assintomático provocou muitas dúvidas e foi mal interpretada por muitas pessoas.

A própria entidade tratou de esclarecer a questão: “Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por caso de Covid-19 assintomático está ocorrendo, a questão é saber o quanto”, disse a OMS, deixando claro que pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus.

O biólogo Átila Iamarino, doutor em microbiologia pela USP (Universidade de São Paulo), explica que um detalhe importante é a diferença um caso de Covid-19 pré-sintomático e um assintomático.

“Maria Van Kerkhove [chefe da unidade de doenças emergentes da OMS] falou assintomáticos. Não deixou claro se isso também inclui pré-sintomáticos, quem não tem sintoma agora, mas vai ter depois. Esses desenvolvem grandes quantidades de vírus e podem transmitir, como vários estudos mostram”, disse o biólogo em seu Twitter.

Iamarino explicou ainda que “Maria Van Kerkhove parece ter falado de assintomáticos que nunca desenvolvem sintomas. A transmissão por essas pessoas sempre foi incerta. Sabemos que acontece, mas não quão comum é. Ela disse que isso parece ser raro, mas ainda não está publicado”.

A microbiologista e pesquisadora do Instituto Ciências Biomédicas da USP Natália Pasternak também explica a diferença entre os dois casos.

“Para elucidar isso, primeiro é preciso diferenciar pré-sintomáticos de assintomáticos. Pré-sintomáticos sao aqueles que ainda nao tem sintomas mas acabam por desenvolvê-los. Assintomáticos são aqueles que testam positivo mas nunca chegam a desenvolver sintomas. E como sabemos disso? Porque os testamos repetidas vezes, eles continuam positivos mas sem sintomas”, explica a especialista.

Natália Pasternak destaca outro ponto importante sobre as pessoas pré-sintomáticas. “Os pré-sintomáticos transmitem antes e durante os sintomas, e os sintomáticos leves transmitem o tempo todo sem perceber. E os casos de Covid-19 assintomáticos? Não sabemos!”, diz a microbiologista. “Só o que sabemos é que muitos assintomáticos apresentam carga viral semelhante aos sintomáticos”, explica.

estudos que afirmam que uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus pode infectar outras de dois a três dias antes do início dos sintomas.

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) avalia que até 40% das pessoas são contaminadas antes de que o paciente que a infectou desenvolva os sintomas. Clique para saber mais sobre os sintomas do coronavírus.

“Mas o que se pode afirmar com certeza é que uma declaração dessas, mal colocada e mal interpretada, tem o potencial de confundir ainda mais a população, que pode assumir que quem nao tem sintomas nao precisa cumprir as medidas de distância ou uso de máscara”, ressalta Pasternak.

Iamarino lembra ainda que as medidas de proteção não devem ser deixadas de lado. “Ainda vale a máxima de que você deve usar máscara e se cuidar. Se você pegar Covid-19, não tem como saber de antemão se vai ou não desenvolver sintomas, se vai ou não transmitir muito. Então se cuida e cuida de quem tá ao seu redor”, pede o biólogo.