Entenda como a Covid-19 causa danos cerebrais

A infecção pela Covid-19 pode atingir o sistema nervoso e o cérebro, causando sintomas neurológicos, como a perda de olfato, e até mesmo delírios e complicações com danos cerebrais graves, como AVC e a trombose venosa cerebral, que causou a morte do jornalista esportivo Rodrigo Rodrigues, aos 45 anos.

Os cientistas já sabiam que o novo coronavírus afetava órgãos além do sistema respiratório, como as vias aéreas superiores e os pulmões. Há também evidências de danos da Covid-19 no sistema cardiovascular, incluindo o coração, além afetar os rins, os vasos sanguíneos e até mesmo a pele.

Pesquisadores acreditam que o coronavírus atinge o sistema nervoso central por meio das terminações nervosas do nariz. Entre as anormalidades neurológicas e sintomas identificados em pacientes com a Covid-19 estão as dores de cabeça, a perda de olfato e paladar e até danos cerebrais como o AVC (acidente vascular cerebral, conhecido como derrame), e as tromboses.

Sabe-se também que o vírus também afeta o processo de coagulação do corpo, elevando o risco de AVC e de tromboses ?EUR” a formação de um coágulo sanguíneo (ou trombo) em veias ou artérias, obstruindo o fluxo sanguíneo. Ela pode ocorrer nas pernas, no cérebro, no pulmão e até no coração.

O que explica a formação dos coágulos em pessoas infectadas pela Covid-19 é o que os cientistas chamam de “tempestade de citocinas” no organismo. São moléculas liberadas pelo sistema imunológico para combater a inflamação causada pelo coronavírus, e uma das respostas ao processo inflamatório é o aumento da coagulação. Ou seja: uma produção excessiva de citocinas aumenta a resposta inflamatória e a taxa de coagulação.

Há evidências de que a Covid-19 cause também encefalite, uma inflamação do cérebro, o que explicaria as enxaquecas e a confusão mental.

No cérebro, elas também impactam os neurônios, destruindo as comunicações entre eles (as sinapses). É similar ao que ocorre durante anos com pacientes com Alzheimer, segundo explica a bioquímica Fernanda Felice, pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).