Cuidando de quem precisa

Veja quem são as pessoas que estão mais vulneráveis e quais são os cuidados recomendados

Quem integra o grupo de risco do novo coronavírus?

Os estudos sobre o impacto da Covid-19 mostram que idosos (com mais de 60 anos) e portadores de doenças crônicas são mais vulneráveis ao vírus. Entre os grupos mais suscetíveis às complicações pela infecção estão pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou com baixa imunidade. 

Entre as doenças mais comuns que agravam a Covid-19 estão diabetes, hipertensão (pressão alta) e outras doenças cardíacas; asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e outras doenças respiratórias. Aparecem também na lista as que afetam a imunidade, como câncer, lúpus, doenças renais ou hematológicas. Obesidade e tabagismo também integram o grupo de risco, assim como gestantes (que ficam com a imunidade mais baixa durante a gravidez).

Se a pessoa tem mais de 60 anos, está dentro do grupo de risco. Isso porque o envelhecimento provoca mudanças no sistema imunológico — não importa o quanto o idoso seja ativo e mesmo que ele não tenha doenças crônicas. 

Além do isolamento, todos os pacientes do grupo de risco devem manter dieta adequada, o sono regular e realizar atividade física, e evitar álcool e cigarro. Eles também devem ser vacinados contra a gripe.

 

Quais são os cuidados especiais durante o isolamento de idosos?

Apesar de a idade ser um dos fatores para estar no grupo de risco, o idoso não é o principal transmissor da doença. O médico João Paulo Nogueira Ribeiro, do site Duv-Idoso, ressalta que o isolamento social pretende protegê-lo, assim como os demais integrantes frágeis do grupo de risco.

Além de não sair de casa, é preciso evitar visitas, aglomerações e o contato com crianças — além das medidas de prevenção e higienização básicas para evitar a Covid-19. Tente contar com a ajuda de parentes, amigos e até mesmo vizinhos para comprar alimentos e medicamentos. Se possível, faça compras online e peça a entrega em domicílio sem contato físico (ou peça para os vizinhos que recebam as encomendas).

Nem todos os idosos contaminados pelo vírus desenvolvem a febre. Por isso, é importante avaliar os demais sintomas, principalmente a dificuldade para respirar, a confusão mental e a sensação de cansaço em meio aos esforços comuns da rotina do dia a dia. É preciso acompanhar também os sintomas relacionados às possíveis doenças do paciente. Para os sintomas leves da Covid-19, a recomendação é evitar os serviços de saúde de forma presencial, e só buscar o atendimento emergencial caso os sintomas piorem. Sempre que possível, procure orientação do seu médico.

 

Quais são as principais preocupações que cuidadores de idosos devem ter?

As pessoas responsáveis pelos cuidados de quem está na terceira idade devem ter atenção especial para evitar o próprio contágio e do idoso. Os cuidadores devem evitar ao máximo seus deslocamentos. Caso seja necessário, evite transportes públicos. Ao chegar na casa do idoso, é importante deixar os sapatos para fora, fazer a higiene das mãos, tomar um banho e trocar as roupas usadas em ambiente externo. Para o manuseio de objetos ou cuidados mais próximos do paciente, como na hora do banho, da higiene, da troca de fraldas e da alimentação, use luvas e máscaras. Para as demais atividades, mantenha a distância de cerca de 2 metros de outras pessoas.

 

Quem deve tomar a vacina contra a gripe? Por que tomar agora?

Apesar do isolamento social, é importante que idosos e profissionais de saúde tomem a vacina contra a gripe que está sendo distribuída em postos públicos de saúde e em clínicas privadas. A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia lembra que, apesar de a vacina não proteger contra o novo coronavírus, ela evita que os idosos peguem outros tipos de gripe que circulam no Brasil nesta época. Desta forma, é mais fácil saber se a pessoa com mais de 60 anos tem a Covid-19, já que ela foi imunizada para outros tipos de vírus da gripe, que costumam apresentar sintomas semelhantes aos do coronavírus.

Muitas Unidades Básicas de Saúde (UBS) têm aplicado a vacina em áreas abertas e arejadas, justamente para evitar o risco de contaminação pela Covid-19. Lembre-se de tomar todos os cuidados de higienização e o distanciamento de cerca de 2 metros em caso de fila. Para quem busca o serviço em clínicas privadas, vale consultar a possibilidade de tomar a vacina em casa.

“A rede pública oferece a vacina trivalente (contra três grupos ou cepas de vírus) e, a privada, em sua maioria, a tetravalente (contra quatro cepas)”, destaca a médica Maisa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da Sociedade de Geriatria.

 

Quais são os principais cuidados para quem tem diabetes?

Pessoas com diabetes têm um risco maior de complicações pela infecção da Covid-19. A Sociedade Brasileira de Diabetes explica que a “baixa imunidade está ligada à elevação do açúcar no sangue, não à falta de produção de insulina”. Além disso, portadores da doença que estão acima do peso também podem ter baixa imunidade.

A entidade esclarece ainda que, se os níveis de açúcar no sangue estiverem controlados, o diabetes representa um risco quase igual ao de pessoas sem a doença. E ressalta que não há evidências que justifiquem a suspensão de medicamentos de controle. Por isso, mantenha o uso regular da sua medicação. Se tiver dúvidas, entre em contato com o seu médico.

 

Pacientes de doenças cardiovasculares devem manter seus medicamentos?

Sabe-se que o vírus pode atacar as células do pulmão por meio da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2). Esta enzima está presente em medicamentos que são usados para tratar pressão alta e doenças do coração. Mas, diante da falta de estudos que comprovem que estes medicamentos agravam o quadro da doença, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda a manutenção dos remédios de uso contínuo. 

Desta forma, as doenças cardiovasculares seguem controladas, impedindo insuficiências cardíacas e picos de pressão que podem ampliar os riscos de complicações e morte destes pacientes.

Por isso, mantenha o uso regular da sua medicação. Se tiver dúvidas, entre em contato com o seu médico. 

 

Quais são as principais recomendações para quem tem asma?

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia recomenda que o tratamento para a asma (uma doença inflamatória crônica que atinge os pulmões) seja mantido com os medicamentos preventivos de crises respiratórias, como corticoides inalatórios (as bombinhas), isolados ou associados a broncodilatadores, já que a Covid-19 pode desencadear as crises de asma.

São mantidas também as orientações para evitar o convívio social mesmo sem sintomas, adotando o home-office para quem trabalha e o isolamento em casa. No caso de pacientes asmáticos, é imprescindível contar com o suporte de parentes e amigos (com o mínimo contato) para compras de alimentos e medicamentos. As consultas médicas à distância também são recomendadas, evitando a busca por ajuda presencial, exceto em casos mais graves de falta de ar e febre alta. Por isso, mantenha o uso regular da sua medicação. Se tiver dúvidas, entre em contato com o seu médico. 

 

Por que fumantes têm mais riscos de desenvolver complicações com a Covid-19?

Como o tabaco inflama as mucosas das vias aéreas e prejudica as defesas do organismo, os fumantes apresentam maior risco de infecções por bactérias e vírus, incluindo o Sars-Cov-2, que causa a Covid-19. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia lembra ainda que “ fumantes são acometidos com maior frequência de infecções como sinusites, traqueobronquites, pneumonias e tuberculose”, e ressalta o perigo do compartilhamento de cigarros comuns ou eletrônicos e narguilés –lembrando que pessoas assintomáticas também transmitem o vírus.

 

Quais procedimentos devem ser adotados por quem está em tratamento de câncer?

Diante da queda de imunidade provocada pelo câncer e seus tratamentos, como a quimioterapia e a radioterapia, os portadores da doença acabam ficando mais vulneráveis. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica destaca que pacientes com neoplasias hematológicas, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, que passaram por transplante de medula óssea ou que estão sob tratamento quimioterápico são os de maior risco. Mas, de forma geral, todos os pacientes devem tomar precauções para evitar a infecção pelo novo coronavírus. 

As recomendações são para que os tratamentos oncológicos não sejam interrompidos. Deve-se ainda evitar o contato físico. Diante dos primeiros sintomas, é crucial procurar o seu médico. As visitas hospitalares devem ser feitas somente se forem estritamente necessárias, e somente uma pessoa deve acompanhar o paciente.

Por isso, mantenha o uso regular da sua medicação. Se tiver dúvidas, entre em contato com o seu médico. 

 

Por que as gestantes estão no grupo de risco?

Gestantes estão mais suscetíveis ao novo coronavírus por causa da baixa imunidade provocada pela gravidez. Mas não há estudos suficientes para afirmar que o vírus seja transmitido para o feto ou que possa causar má formação fetal — os poucos casos observados sinalizam que a contaminação não ocorre.

Entre os casos de infecção pela Covid-19 em gestantes, nota-se que os sintomas desenvolvidos são mais leves do que em outros grupos de risco –mas ainda não há pesquisas para explicar as razões pelas quais o impacto seria menor. 

Além das medidas de prevenção, recomenda-se que a gestante não vá ao consultório sem telefonar antes para o seu médico. Em caso de contaminação, é aconselhável o isolamento, repouso, a hidratação e a medicação para alívio dos sintomas segundo orientações do médico que acompanha a gestação. A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo sugere ainda que a gestante busque atendimento hospitalar somente em casos de febre persistente, taquicardia ou sinais respiratórios como fadiga, dor no peito e falta de ar. 

Após o parto, a amamentação também deve ser mantida –o vírus não é transmitido no leite materno. Mas a mãe com sintomas deve usar máscaras e ter os cuidados básicos de higiene com as mãos.