Dor nas costas e enxaqueca: como as dores do home office afetam a mente?

Os efeitos do home office na saúde de quem trabalha podem ir além da fadiga e das dores no corpo. Quase metade dos respondentes (45,63%) de um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentou baixo nível de bem-estar e saúde mental.

Além disso, o mesmo estudo mostrou que existe uma associação entre sintomas físicos das pessoas em trabalho remoto — como dor no corpo, fadiga e cefaléia — e estados de humor e vitalidade mais baixos.

As principais queixas são de preocupação com questões financeiras, ansiedade com a saúde de um membro da família e sensação de isolamento e solidão. Pessoas que moram sozinhas também tiveram índices abaixo do recomendado pela OMS.

Para Alberto Ogata, pesquisador do FGV Saúde e autor do estudo, os resultados demonstram que “não adianta só tratar com remédio as dores físicas causadas pelo home office, se as pessoas estão com depressão ou se sentindo mal do ponto de vista psicológico”.

Esse é o segundo relatório feito pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da FGV EAESP (FGV Saúde), em parceria com o Institute of Employment Studies (IES) do Reino Unido, para avaliar os impactos do trabalho remoto na saúde e bem-estar dos brasileiros durante a pandemia. O estudo aplicou um questionário on-line a 653 trabalhadores no período de 1 de junho a 30 de agosto.

Com alguns resultados já divulgados em relatório parcial em agosto, a pesquisa ampliou a quantidade de respondentes durante o período e apresenta, neste segundo relatório, análises específicas sobre a saúde mental dessas pessoas.

Com 533 respostas coletadas nos meses de junho e julho, o primeiro relatório mostrou que apenas 15,9% dos trabalhadores receberam suporte das empresas para trabalhar em casa — e que sintomas físicos como dores nas costas, no pescoço, fadiga ocular, perda de sono e dores de cabeça tornaram-se frequentes para essas pessoas.

Neste segundo relatório, os dados dos respondentes foram cruzados com um questionário da Organização Mundial da Saúde que mede o estado de saúde mental das pessoas por meio do humor, vitalidade e interesse geral, através de uma escala de 25 pontos.

Quase metade dos respondentes atingiram escore igual ou inferior a 13, que seria um indicador de baixo nível de bem-estar, quando se recomenda acompanhamento médico.

Fonte: Agência Bori