Guia da flexibilização: como se proteger da Covid-19?

Com a flexibilização, a abertura do comércio, a volta do trabalho presencial e até o funcionamento de bares ou outras opções de lazer não significam que a pandemia da Covid-19 passou. Para que as pessoas possam se proteger, professores da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) criaram um guia com orientações sobre as medidas de prevenção, respondendo algumas dúvidas da população.

A seguir estão dicas de quatro especialistas da UFMG sobre o uso da máscara, os cuidados pessoais ao sair e retornar para casa, com as compras e encomendas, em relação às crianças, a segurança trazida pelos testes, ao nível de exposição com a abertura do comércio e o papel de cada um no combate à pandemia da Covid-19 durante a flexibilização. A reportagem completa está disponível no site da instituição.

Com a reabertura do comércio o uso da máscara continua sendo obrigatório em todos os casos? Mesmo na hora da paquera ou quando for a bares?

O ideal é que a máscara seja usada sempre. Um estudo alemão mostra que quando você está correndo, a faixa de risco em torno de uma pessoa possivelmente infectada é maior do que quando está andando. Então, se for possível, prefira locais vazios, exercícios menos intensos para que a máscara não atrapalhe a respiração.

Para retirar a máscara deve-se estar completamente isolado, em uma distância de outras pessoas de pelo menos mais de um metro e meio, como é recomendado.

Devo solicitar à visita que use máscara durante o tempo que estiver em minha casa? É seguro conversamos usando máscara? Por quanto tempo?

O melhor é adiarmos as visitas e mantermos o distanciamento físico. Muitas pessoas acham que está tudo bem não ir aos lugares, mas que está permitido fazer um encontro com um grupo de amigos em casa. Se cada um ali tem contato com outro grupo, por exemplo, é bem possível que alguém esteja com o vírus, ainda que pareça assintomático.

Não se pode perder o medo da infecção por estar com a família. É preferível que fique de máscara, que a visita seja apenas de cortesia e se for possível que veja de longe, sem entrar ou que saia rapidamente. Lembrando ainda que a mortalidade aumenta conforme a idade, então cuidado com a pessoa que você pode estar expondo.

O tempo de permanência junto a uma pessoa infectada é fundamental em relação ao risco. A chance é pequena quando você só passa pela pessoa na rua, por exemplo. A partir de 10 a 15 minutos junto, o risco já aumenta. Veja também como criar uma “bolha social” de convivência para evitar a Covid-19 na flexibilização.

Durante o dia, quando devemos trocar a máscara? Qual é o procedimento correto para trocar?

A máscara deve ser bem colocada, tampando o nariz e a boca. Deve ser trocada antes de ficar úmida, já que neste caso ela perde sua capacidade de filtração. Ao ser trocada, deve-se tirar a máscara pelo elástico que prende a orelha, sem tocar na parte frontal. As máscaras caseiras devem ser de folha dupla ou dupla camada de tecido.

O descarte deve ser feito em local correto e, se for usar a máscara novamente, caso retire para alimentar, deve guardá-la em um local que não tenha risco de contaminação – como uma sacolinha exclusiva para esse uso. Antes e após o contato com a máscara, para tirar ou colocar, deve-se higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel 70º.

Necessariamente tem que lavar todos os itens que chegam do supermercado?

Os cuidados de limpeza com as encomendas e compras do supermercado não são excesso de zelo, são ações para diminuir ainda mais os riscos de infecção, ainda que eles sejam pequenos por essa forma. O vírus é muito pouco resistente ao sabão e álcool em gel 70º e esse hábito vai ultrapassar a pandemia. É preciso que nos acostumemos. Esse é um dos legados da pandemia e é importante por evitar outras possíveis infecções de disseminação semelhante.

Ainda que não haja um consenso do tempo de viabilidade do vírus em cada material, sabe-se que ele permanece menos tempo no papel. Como é complicado lavar as sacolinhas de plástico, seria melhor tentar usar menos esse material e preferir aquelas sacolas retornáveis que são mais fáceis de limpar. Caso use as sacolinhas de plástico, despreze-as após ou deixe-as em um lugar exposto no sol, como uma espécie de “castigo” por pelo menos 24h.

Temos que sair de casa com cabelo preso?

O cabelo em si não é um problema. A questão é que o cabelo longo pode incomodar, a pessoa querer ficar ajeitando-o e isso faz com que a mão chegue perto da boca, narinas ou olhos.

Quais cuidados devemos tomar no transporte público?

Sabemos que a população mais vulnerável se locomove com o transporte coletivo que muitas vezes está lotado. Essa aglomeração acontece até antes de entrar, na formação da fila de espera. Então se for possível, mantenha a distância também enquanto aguarda.

Para mitigar os riscos, já que não tem como não segurar nas barras, deve-se lavar as mãos assim que chegar no destino ou usar álcool em gel ao descer. A máscara deve ser usada o tempo todo e em todo lugar.

As crianças são menos vulneráveis que os adultos?

As crianças não são nem menos e nem mais vulneráveis do que os adultos. Elas podem se infectar e transmitir o vírus da mesma forma. A diferença é que quando elas se infectam, geralmente tem manifestações leves da doença. Mas, em relação a infecção e a transmissão do vírus, o risco é o mesmo.

É necessário que elas brinquem de máscaras mesmo se for um espaço só pra elas?

Se elas não usarem máscara enquanto estiverem brincando, elas estão expostas à infecção e podem pegar o vírus das outras crianças. Então, estar com crianças ou adultos, sem usar máscara, há risco de contrair o vírus. Por isso, é aconselhável que brinquem sim de máscara, sempre que tiverem contato com outras pessoas de qualquer idade. Os cuidados de higiene,como lavar as mãos, também devem ser seguidos pelas crianças.

Para crianças de até 3 anos, não é recomendado que usem máscara. Quais cuidados devemos ter para compensar?

As máscaras não são recomendadas para crianças menores de 3 anos devido à intolerância ou dificuldade de manejo e de respirar. Então, nessa idade, é preciso manter um distanciamento de 2 metros e evitar contato prolongado com as pessoas por mais de 15 minutos. As outras medidas de prevenção e o distanciamento social devem ser reforçadas para essas crianças que não podem utilizar a máscara.

Ao sair de casa, posso encostar nas pessoas, para abraçar, por exemplo, e nas coisas, como mercadorias?

Não devemos abraçar, encostar e beijar as pessoas, mesmo que estejamos com as mãos higienizadas, pois a transmissão acontece principalmente por vias respiratórias, pela eliminação de partículas contendo o vírus. E isso se dá quanto mais próximo as pessoas estiverem, o que deve ser evitado.

Então, é recomendado cumprimentar de longe, ser cordial e afetuoso na medida do possível, sem o contato físico, porque isso minimiza o risco de transmissão entre as pessoas nessas interações. É preciso que se mantenha o distanciamento entre as pessoas de 1 a 2 metros, com o uso de máscara, mantendo sempre a higiene das mãos, para, mesmo flexibilizando, tentar reduzir a curva da epidemia, que ainda não está em diminuição.

Em relação a encontros de família, que mora em casa separada, ou de amigos, é liberado para este momento? É preciso manter o distanciamento e usar máscara mesmo com poucas pessoas?

Também deve ser evitado, principalmente entre pessoas que não estão compartilhando os mesmos ambientes de convívio domiciliar e trabalho, pois vai aglomerar pessoas que estão tendo exposições diferentes, com locais diferentes, ou vai expor pessoas que estão restritas ao lar, principalmente idosos e pessoas portadores de doenças crônicas. Se estamos circulando e temos convívio com essas pessoas, o risco existe.

Mas com o distanciamento por meses de amigos e familiares, as pessoas tendem a voltar a se encontrar. É preciso que esses encontros eventuais sejam de curta duração, em ambientes ventilados, com o menor número possível de pessoas, que continuem usando máscaras e evitem o contato, como aperto de mão, abraço, beijo, mesmo que as mãos estejam higienizadas e mesmo que esteja de roupa limpa. Isso porque a transmissão está muito ligada às partículas respiratórias que nós eliminamos ao espirrar, tossir ou falar. Então esse momento de proximidade tem risco de que a transmissão aconteça na interação.

E isso é partindo do princípio de que a pessoa com sintomas não vá a um encontro desses. Quando a pessoa tem qualquer suspeita, como febre, tosse, falta de ar ou qualquer outro sintoma respiratório, é preciso que fique em casa, tente fazer o exame para ser adequadamente diagnosticada e mantenha o isolamento no tempo necessário de pelo menos 10 dias, em geral de 14 dias, até que os sintomas desapareçam por pelo menos três dias. (Por Giovana Maldini e Deborah Castro, da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)

Fontes:
Dirceu Greco: médico infectologista e especialista em Imunologia Clínica, presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina e Emérito da UFMG.

Lilian Diniz: médica infectologista pediátrica e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina

Mateus Westin: médico infectologista, preceptor do Ambulatório de Doenças Infecciosas CTR-DIP Orestes Diniz e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina

Unaí Tupinambás: médico infectologista, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina, membro dos comitês de enfrentamento da covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte e da UFMG