Imunidade contra a Covid-19 duraria só 3 meses, diz estudo

Pessoas que tiveram Covid-19 podem perder a imunidade contra o coronavírus em um prazo de dois a três meses. A redução de anticorpos foi apontada em um estudo publicado na renomada revista científica Nature Medicine.

A pesquisa aponta ainda que pacientes assintomáticos desenvolvem menos anticorpos do que as pessoas que apresentaram os sintomas da Covid-19.

O sistema imunológico dos infectados cria anticorpos como o IgM e o IgG (clique para entender o que significa cada uma destas siglas). Durante o estudo publicado na Nature, 74 pessoas foram monitoradas por até oito semanas, sendo que 37 delas tiveram a Covid assintomática. Outras 37 apresentaram sintomas moderados.

Todas as pessoas que participaram do estudo tiveram a infecção pela Covid-19 comprovada por meio do exame RT-PCR, que detecta o vírus na fase mais aguda da doença.)

A maioria das pessoas com Covid-19 apresentou redução no número de anticorpos IgG (que funciona como uma espécie de “memória de imunidade” de dois e três meses depois da infecção. Os anticorpos IgG estavam abaixo do recomendável para detecção em 40% das pessoas que desenvolveram a Covid assintomática, e em 13% dos pacientes sintomáticos.

Em seu Twitter, a bióloga Natalia Pasternak explicou que “o primeiro anticorpo que aparece é o IgM, que indica uma infecção recente. Depois vai sendo substituído pelo IgG, que indica que já faz mais tempo que a pessoa teve a doença. O IgG pode durar bastante tempo no sangue. Aí é que começa a bagunça. Por normalmente durar bastante tempo, o IgG é muito usado como um bom marcador de imunidade. Em geral, essa correlação funciona bem: se a pessoa teve a doença, se recuperou e produziu IgG, deve estar protegida”.

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De acordo com a bióloga, a pesquisa não indica que não desenvolvemos nenhuma imunidade contra a Covid-19. “Anticorpos não são nossa única resposta imune”, disse. “O fato de ‘perdermos’ rapidamente o IgG não quer dizer que não temos resposta celular ou que não tenhamos desenvolvido células de memória, capazes de montar uma resposta rapidamente caso o vírus infecte novamente.”

Natalia Pasternak ressalta que não há, até agora “casos de reinfecção de forma consistente. Então, por enquanto, parece que quem teve a doenca e se recuperou está protegido. Mas o fato é que ainda não sabemos. Por isso não pode relaxar as medidas de prevenção”.

O biólogo Atila Iamarino lembra que “quem pegou Sars ou Mers [doenças causadas por coronavírus parecidos com o que causa a Covid-19] desenvolveu anticorpos (IgG) em níveis sustentados por até dois anos depois ou mais. No caso dos coronavírus que causam resfriados, a imunidade cai e as pessoas podem pegar de novo”, diz.

“Mesmo se pegarem de novo, essa queda de imunidade não quer dizer que não estão protegidos. Provavelmente seria uma infecção mais benigna, como acontece com a Mers ou com a gripe [comum]. Mas pode indicar que curados ainda contraem e transmitem o vírus. O que eliminaria o ‘passaporte imune’, afirma Iamarino em seu Twitter.

O estudo foi feito pela Universidade de Medicina de Chongqing, no sudoeste da China, e aponta o risco para o chamado “passaporte de imunidade” que era cogitado pelos governos de alguns países para liberar a população do distanciamento social.

Em abril, a OMS (Organização Mundial de Saúde) já tinha alertado para o risco de que a contaminação pela Covid-19 não fosse suficiente para garantir a imunidade ao paciente.

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