Maior estudo sobre cloroquina aponta ineficácia contra o coronavírus

Uma pesquisa feita com 96 mil pacientes no mundo todo indica que o uso de cloroquina e hidroxicloroquina não apresentam benefícios no tratamento do novo coronavírus. O estudo aponta ainda que as duas substâncias aumentam os riscos de arritmias cardíadas e morte entre pessoas infectadas pela Covid-19.

A descoberta foi publicada na renomada revista científica The Lancet com pessoas hospitalizadas em 671 hospitais de todo o mundo com resultado positivo para a contaminação pelo vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19. O estudo avaliou também a combinação da cloroquina e da hidroxicloroquina com o antibiótico azitromicina.

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Como foi feito o estudo com a cloroquina?

Foram avaliados 96.032 pacientes de 671 hospitais de seis continentes (559 hospitais na América do Norte; 18 na América do Sul; 50 na Europa; 30 na África; 9 na Ásia e 5 na Austrália). Do total, 14.888 receberam o tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, e outros 81.144 não receberam os medicamentos.

A pesquisa mostrou que as pessoas que tomaram as duas drogas apresentaram riscos maiores de morte quando comparadas com os pacientes que não tomaram os dois medicamentos. Veja os dados do estudo, considerando “o controle de múltiplas variáveis (idade, sexo, etnia, índice de massa corporal, doença cardiovascular pré-existente e seus fatores de risco, diabetes, doença pulmonar pré-existente, tabagismo, condição imunossuprimida e gravidade inicial da doença):

Taxa de mortalidade:

  • Grupo de controle (sem o tratamento): 9,3%
  • Tomou somente cloroquina: 16,4%
  • Tomou somente hidroxicloroquina: 18%
  • Cloroquina + antibiótico: 22,2%
  • hidroxicloroquina + antibiótico: 23,8%

Risco maior de arritmias cardíacas:

  • Grupo de controle (sem o tratamento): 0,3%
  • Tomou somente cloroquina: 4,3%
  • Tomou somente hidroxicloroquina: 6,1%
  • Cloroquina + antibiótico: 6,5%
  • hidroxicloroquina + antibiótico: 8,1%

Considerando as diferenças entre as doenças pré-existentes dos pacientes com e sem tratamento, este tipo de estudo não pode fornecer evidências definitivas sobre a segurança e eficácia dos medicamentos.

Mesmo assim, os autores recomendaram que os medicamentos não fossem usados fora dos testes clínicos e ressaltaram a importância de realizar novos estudos sobre as duas drogas.

A cloroquina é usada em pacientes com malária e doenças reumáticas, como lúpus eritomatoso sistêmico e artrite reumatoide.

Entretanto, seu uso deve ser monitorado frequentemente, pois a droga provoca efeitos colaterais graves como lesões na retina ocular (retinopatias), hipoglicemia grave, distúrbios do ritmo cardíaco (prolongamento QT) e toxidade cardíaca.

 

 

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