OMS suspende testes com cloroquina contra a Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu temporariamente os testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina em pacientes com o novo coronavírus por questões de Segurança. A medida foi anunciada depois que um estudo com 96 mil pacientes com Covid-19 apontou a ineficácia da substância no tratamento da doença, aumentando os riscos de arritmias cardíacas e mortes.

A informação sobre a interrupção dos testes foi anunciada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Os autores do estudo reportaram que, entre pacientes com Covid-19 usando a droga, sozinha ou com um macrolídeo [antibiótico como a azitromicina, existe uma maior taxa de mortalidade”, disse Tedros.

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A cloroquina é usada em pacientes com malária e doenças reumáticas, como lúpus eritomatoso sistêmico e artrite reumatoide. A OMS ressaltou também que o uso da cloroquina para doenças autoimunes ou malária ainda é seguro.

Estudo sobre uso da cloroquina

A descoberta foi publicada na renomada revista científica The Lancet com pessoas hospitalizadas em 671 hospitais de todo o mundo com resultado positivo para a contaminação pelo vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19. O estudo avaliou também a combinação da cloroquina e da hidroxicloroquina com o antibiótico azitromicina.

A pesquisa mostrou que as pessoas que tomaram as duas drogas apresentaram riscos maiores de morte quando comparadas com os pacientes que não tomaram os dois medicamentos. Veja os dados do estudo, considerando “o controle de múltiplas variáveis (idade, sexo, etnia, índice de massa corporal, doença cardiovascular pré-existente e seus fatores de risco, diabetes, doença pulmonar pré-existente, tabagismo, condição imunossuprimida e gravidade inicial da doença):

Taxa de mortalidade:

  • Grupo de controle (sem o tratamento): 9,3%
  • Tomou somente cloroquina: 16,4%
  • Tomou somente hidroxicloroquina: 18%
  • Cloroquina + antibiótico: 22,2%
  • hidroxicloroquina + antibiótico: 23,8%

Risco maior de arritmias cardíacas:

  • Grupo de controle (sem o tratamento): 0,3%
  • Tomou somente cloroquina: 4,3%
  • Tomou somente hidroxicloroquina: 6,1%
  • Cloroquina + antibiótico: 6,5%
  • hidroxicloroquina + antibiótico: 8,1%

Considerando as diferenças entre as doenças pré-existentes dos pacientes com e sem tratamento, este tipo de estudo não pode fornecer evidências definitivas sobre a segurança e eficácia dos medicamentos.

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