Ozônio, ivermectina, azitromicina e cloroquina para Covid-19: o que diz a ciência?

Entre os medicamentos que foram testados para o tratamento da Covid-19 estão a cloroquina, a ivermectina e a azitromicina. O aplicação de ozônio (ozonioterapia) por via retal foi sugerido pelo prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastoni. Em comum, todos não têm evidências científicas de comprovem a eficácia para tratar a Covid-19, e o uso indiscriminado pode causar danos à saúde e agravar os casos de infecção pelo coronavírus.

Para que você entenda para o que serve cada um dos medicamentos e o procedimento da ozonioterapia, vamos explicar os protocolos de tratamento indicados para cada uma destas substâncias, incluindo os riscos para o uso indiscriminado.

Ivermectina e Covid-19

A ivermectina é um antiparasitário, um vermífugo que costuma ser usado para piolho, lombriga e sarna, com ação contra vermes e parasitas, e deve-se tomar somente com prescrição médica. Até mesmo os laboratórios que fabricam a ivermectina contraindicam a prescrição para a Covid-19. A venda sem receita foi proibida pela Anvisa durante a pandemia.

Uma pesquisa indicou que a ivermectina é capaz de inibir a replicação do coronavírus que causa a Covid-19 em células testadas em laboratório (e não no corpo humano). A questão é que a dose usada nos testes é entre 50 e 100 vezes maior do que o limite considerado seguro para o tratamento em humanos. A OMS já emitiu recomendação para que a ivermectina não seja usada em casos de Covid-19.

Azitromicina e Covid-19

A azitromicina é um antibiótico usado no tratamento de infecções respiratórias, como bronquite e pneumonia, ou das vias aéreas superiores, como faringite e sinusite, e não tem eficácia contra a Covid-19, que é causada por um coronavírus, e não por uma bactéria.

Pode ser usada também no tratamento de doenças sexualmente transmissíveis como clamídia, gonorreia e sífilis. Como é um antibiótico, ela só é vendida com prescrição médica, e a receita é retida pelo farmácêutico.

A azitromicina só é usada em casos de Covid-19 como um completemento do tratamento em casos graves, já que ela atua no controle da síndrome respiratória aguda grave, já que uma das consequências entre pacientes hospitalizados pode ser a pneumonia bacteriana. Mas não há evidências que comprovem a eficácia contra a Covid-19.

Cloroquina e Covid-19

A cloroquina e a hidroxicloroquina não medicamentos usados no tratamento e na profilaxia de malária, uma doença causada transmitida por mosquitos e causada por protozoários parasitários. Ele também é usado no controle de doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide, já que a droga tem efeito imunomodulador (aumenta a resposta imune contra microorganismos).

Altamente tóxica, o uso da cloroquina deve ser monitorado frequentemente pelo médico, pois ele provoca efeitos colaterais graves como lesões na retina ocular (retinopatias), hipoglicemia grave, distúrbios do ritmo cardíaco e toxicidade cardíaca.

Não há registros científicos de que tanto a cloroquina como a hidroxicloroquina tenham eficácia contra a Covid-19. A OMS suspendeu os estudos para o tratamento da infecção pelo novo coronavírus diante do risco maior de arritmias e mortes nos casos mais graves de Covid-19.

E o ozônio?

O uso de ozônio retal no tratamento da Covid-19, sugerido pelo prefeito de Itajaí, foi proibido pelo CFM (Conselho Federal de Medicina). Em nota, o CFM afirmou que a ozônioterapia coloca em risco a saúde dos paciente. O CFM afirma ainda que o uso de ozônio retal é invasivo e pode até mesmo perfurar o intestino grosso do paciente.

O ozônio costuma ser usado na desinfecção de equipamentos hospitalares. A ozonioterapia consiste na aplicação dos gases oxigênio e ozônio por diferentes vias, como intravenosa ou intramuscular.

Defensores do ozônio retal argumentam que o procedimento poderia aumentar a oxigenação dos tecidos e estimular o sistema imunológico. Entretanto, não há qualquer comprovação científica de sua eficácia e segurança.

A prescrição do ozônio é proibida pelo CFM em qualquer situação em hospitais e clínicas como tratamento. A única exceção de permissão do uso da ozonioterapia é para quem aceitar participar dos estudos em caráter experimental, com base em protocolos clínicos, já que a técnica pode efeitos colaterais graves.