Para imunologistas, cloroquina contra Covid-19 “carece de evidência científica”

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) afirma que o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus “carece de evidência científica” e que a recomendação do tratamento contra a Covid-19 ainda é “precoce”.

O parecer científico da entidade ressalta que o medicamento pode causar graves efeitos colaterais e destaca que “diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram” a droga.

A cloroquina é usada em pacientes com malária e doenças reumáticas, como lupus eritomatoso sistêmico e artrite reumatoide. Entretanto, seu uso deve ser monitorado frequentemente, pois a droga provoca efeitos colaterais graves como lesões na retina ocular (retinopatias), hipoglicemia grave, distúrbios do ritmo cardíaco (prolongamento QT) e toxidade cardíaca.

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“A SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS [Organização Mundial da Saúde], para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da covid-19”, diz o documento.

A nota da SBI cita um dos estudos recentes realizado com 1.438 pacientes em Nova York com resultado positivo para Covid-19 em 25 hospitais diferentes. Foram monitorados tratamentos com hidroxicloroquina e azitromicina, hidroxicloroquina, azitromicina e sem uso dos dois fármacos. Os pacientes que receberam hidroxicloroquina e azitromicina tiveram maior incidência de falência cardíaca em comparação com o grupo sem a medicação.

O estudo indica ainda que não houve melhora significativa em relação à mortalidade comparando os grupos que rece beram hidroxicloroquina, azitromicina ou ambos os fármacos em relação ao grupo sem a medicação.

A entidade afirma ainda que a “escolha desta terapia, ou mesmo a conotação que a COVID-19 é uma doença de fácil tratamento, vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia. Este posicionamento não apenas carece de evidência científica, além de ser perigoso, pois tomou um aspecto político inesperado.”

Vacina e isolamento social

O documento destaca a importância do isolamento social até que uma vacina e “melhores possibilidades terapêuticas comprovadas para o tratamento” sejam desenvolvidas. “Dados colhidos em vários países do mundo mostram que [o isolamento social] é a única medida efetiva para desacelerar as curvas de crescimento dessa infecção”, diz a organização.

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