Reinfecção pela Covid-19 é possível, mas é rara

O caso de um homem que testou positivo duas vezes para a Covid-19 em Hong Kong comprovou que a reinfecção pelo novo coronavírus é possível, ainda que seja rara. Além disso, indica ainda que a imunidade desenvolvida por quem já enfrentou a doença realmente dura poucos meses.

Há diversos relatos semelhantes sobre pessoas que tiveram a Covid-19 e teriam apresentado sintomas mais leves da doença meses depois. Mas, até agora, não estava claro se eram restos virais da primeira infecção ou um segundo contágio.

No caso identificado em Hong Kong, a primeira infecção pelo coronavírus ocorreu em março; a segunda, em agosto, e foi identificada enquanto o homem voltava de viagem da Espanha. A reinfecção foi comprovada por meio do mapeamento genético do vírus após o segundo teste RT-PCR positivo, comprovando que eram versões diferentes do Sars-CoV-2.

O estudo do caso de Hong Kong apontou que o homem não estava imune ao vírus, mas desenvolveu a doença de forma assintomática. Na primeira vez, em março, o gênoma do vírus era similar ao identificado nos EUA e no Reino Unido; em agosto, a mutação era semelhante ao coronavírus que circula na Europa, em países como Reino Unido e Suíça.

Estudos estão em andamento, e têm sinalizado que a imunidade duraria entre dois e três meses. Um caso semelhante ao de Hong Kong foi identificado pela USP no Brasil. Entretanto, não é possível provar a reinfecção, já que o sequenciamento do vírus não foi feito após os dois testes positivos para a Covid-19.

“São casos raros. Suspeita de reinfecção é a exceção da exceção. Mas levanta dois pontos importantes: Não dá pra tratar quem se curou como alguém imune e protegido. Não é se curou, acabou. Vamos precisar de máscaras por mais tempo”, diz o biólogo Átila Iamarino em seu Twitter.

“O intervalo até aqui é de alguns meses (menos de 5, no caso de Hong Kong). Pode ser que conforme o tempo for passando, se a imunidade das pessoas diminui, casos de reinfecção se tornem mais comuns. O Brasil, país dos milhões de curados, é provavelmente onde vamos confirmar isso”, acrescentou o especialista.