Sonhos estranhos na pandemia da Covid-19? Você não é o único

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Se você anda se perguntando a razão pela qual tem tido sonhos estranhos durante a pandemia do novo coronavírus, acredite: você não está sozinho. É como se que o surto da doença no mundo estivesse provocando efeitos de longo alcance em nosso subconsciente coletivo.

O medo de adoecer, de perder pessoas com a Covid-19 e as restrições de circulação impostas na rotina, com populações inteiras confinadas em suas casas, certamente influenciam a forma como as pessoas dormem — e sonham.

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Estudos feitos nos EUA sinalizam que as pessoas estão se lembrando mais dos sonhos que têm enquanto dormem durante a pandemia. E não é a primeira vez que isso acontece: pesquisas norte-americanas apontaram que incidentes traumáticos, como foi o 11 de Setembro de 2001 nos EUA, mudaram o modo como as pessoas sonhavam por um tempo, tornando os sonhos mais intensos e memoráveis nos dias após o atentando contra as Torres Gêmeas, por exemplo.

Foi criado até um blog para reunir uma coleção de “sonhos estranhos” e surrealistas que são enviados por pessoas do mundo, o “I dream of covid” (Eu sonho com Covid, o conteúdo está em inglês). No Brasil, um grupo da USP (Universidade de São Paulo) está criando o Inventário de Sonhos. O projeto do Instituto de Psicologia pretende usar o “material onírico única e exclusivamente como fonte de pesquisas em psicanálise, psicologia e saúde mental” futuramente, e os sonhos devem ser contados de forma anônima.

Deirdre Barrett, psicóloga da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, nos EUA, contou ao jornal The New York Times que os “perigos e ameaças que são difíceis de visualizar, como medos abstratos ou perigos reais invisíveis, geralmente fazem com que metáforas semelhantes apareçam no sono de sonhadores preocupados”. Ela cita pesadelos com maremotos e até mesmo com monstros como alguns exemplos.

Segundo a especialista, as pessoas que estão em isolamento social e trabalhando em casa conseguem se lembrar de alguns sonhos, que podem até ser menos realistas. Entretanto, isso não significa que estes sonhos não estejam relacionados ao tópico que está na mente de todos: a pandemia.

Para as pessoas que estão trabalhando na linha de frente no combate ao novo coronavírus, os sonhos (ou pesadelos) podem dar sinais de algum estresse pós-traumático. ?EURoeAs pessoas que decidem dar um ventilador a um paciente ou não, que veem corpos de vítimas alinhados nos corredores de hospitais, certamente estão atendendo aos critérios usuais para o que chamamos de trauma agudo, e já são esperados alguns sintomas de estresse pós-traumático nestas pessoas?EUR?, disse a psicóloga.

O estresse e a ansiedade durante a pandemia do coronavírus também podem nos fazer lembrar mais dos sonhos, já que ambos perturbam o sono. Segundo o site de saúde e bem-estar Cuidaí, parceiro da RD Saúde em Dia, durante o sono, o cérebro processa o estresse, a ansiedade e outros sentimentos que temos quando estamos acordados.

“Se você assistir ao noticiário todos os dias e ficar nas redes sociais por horas, será bombardeado com informações sobre o coronavírus. O que pode deixá-lo assustado ou preocupado e, consequentemente, os sonhos serão afetados”, destaca o Cuidaí.

O estágio do sono em que temos os sonhos mais vívidos é o famoso sono REM (movimento rápido dos olhos, na tradução da sigla). Ele é o mais intenso e dura entre 90 e 120 minutos, em ciclos que se repetem algumas vezes durante a noite. Se dormirmos mais horas, teremos mais ciclos de sono REM e, consequentemente, mais sonhos.

Todas as pessoas acordam várias vezes ao fim de cada ciclo do sono REM (mesmo que elas não se lembrem).  Em entrevista para a revista americana Time, o diretor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Mississippi, Michael Nadorff, explicou que é graças a esse despertar breve que conseguimos nos lembrar dos sonhos.

“Quando acordamos, nosso cérebro leva cerca de cinco minutos para começar a codificar a memória. Isso significa que, se você acordar por alguns segundos, não se lembrará de ter despertado. Mas você vai se lembrar de estar acordado por 10 minutos. E se você tiver um nível mais alto de ansiedade, é mais provável que fique acordado o tempo suficiente para codificar memórias e, assim, vai se lembrar de mais sonhos”, explica Nadorff.

Os sonhos também estão conectados à codificação da memória do cérebro, e a emoção representa grande parte das memórias que o cérebro decide que são importantes para serem mantidas. Os estudos sobre o impacto do isolamento social nos sonhos das pessoas ainda estão em estágios iniciais, mas sinalizam que nossos sonhos são sensíveis ao ambiente social e poderiam explicar o por que estamos sonhando mais com amigos e parentes, por exemplo. Os sonhos estranhos da pandemia do coronavírus seriam carregados de emoção e, por isso, têm características que o cérebro “enviaria” para a nossa memória.

Selecionamos algumas dicas que podem te ajudar a relaxar e dormir melhor (clique para saber mais). Uma boa noite de sono pode te ajudar até a reforçar o seu sistema imunológico.

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