O que sabemos sobre os testes da vacina contra a Covid-19?

Diferentes grupos de pesquisadores pelo mundo trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19. Das mais de 160 vacinas contra a Covid-19 que estão em estudo, até agora 26 delas estão em testes clínicos com humanos. E duas delas já estão em testes no Brasil.

O desenvolvimento de uma vacina normalmente leva alguns anos para ocorrer. Mas a ciência agora corre contra o tempo para encontrar uma forma de imunizar a população contra o novo coronavírus e tentar conter a pandemia.

A produção de uma vacina passa por etapas. Quando começa a ser testada em humanos, passa por três fases. Na fase 1, os testes são feitos com poucos voluntários adultos para avaliar segurança e dosagem; na fase 2, os testes são ampliados para centenas de voluntários; na fase 3, os testes envolvem milhares de pessoas para avaliar a segurança e eficácia em larga escala.

Algumas vacinas já estão na chamada “fase 3”. Entenda como estão as pesquisas para as principais vacinas cujas pesquisas estão mais avançadas:

Vacina de Oxford

A vacina contra a Covid-19 que a Universidade de Oxford, no Reino Unido, está desenvolvendo com o laboratório AstraZeneca e o apoio da Fiocruz tem nome díficil: ChAdOx1 nCoV-19. Mas ela está entre as mais avançadas entre as vacinas em estudo até agora.

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No Brasil, os testes estão sendo feitos pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), com o Instituto D’Or. Cerca de 2.000 profissionais de saúde estão entre os voluntários da vacina, já que estão mais expostos ao coronavírus. Ela utiliza como base um vírus que causa resfriado em chimpanzés alterado geneticamente com uma das proteínas do SARS-CoV-2, que causa a Covid-19.

Estudo publicado em 20 de julho na renomada revista médica Lancet apontou que a vacina experimental de Oxford é segura e produziu resposta imune nos voluntários saudáveis, sem causar efeitos colaterais graves — 70% das pessoas apresentaram febre ou dor de cabeça. Os resultados da pesquisa referem-se aos testes das fases 1 e 2. O Brasil é parte da fase 3 dos testes.

As pesquisas agora precisam confirmar que a vacina é eficaz e determinar por quanto tempo a proteção dela vai durar nos humanos. A Fiocruz (Fundaçaõ Oswaldo Cruz) tem acordo com o laboratório AstraZeneca para transferência da tecnologia para que a vacina seja produzida no Brasil quando for aprovada.

Vacina CoronaVac

A vacina contra a Covid-19 que o governo do Estado de São Paulo recebeu no dia 20 de julho para iniciar os testes no Brasil é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, e é conhecida como CoronaVac (ou PiCoVacc). Ela usa como base o próprio coronavírus inativado quimicamente.

Aqui no Brasil, os testes serão conduzidos pelo Instituto Butantan e serão realizados no Hospital das Clínicas, em São Paulo, com voluntários profissionais de saúde. Outros centros pelo país realizarão os testes, todos com o apoio do Instituto Butantan.

No total, chegaram ao Brasil 20 mil doses da vacina, que também está na fase 3 dos testes clínicos (a mesma fase da vacina de Oxford). O acordo com a Sinovac também prevê a transferência de tecnologia para que o Instituto Butantan produza a vacina no Brasil.

Vacina da CanSino

Esta vacina ainda está na fase 2 dos testes, diferentemente das anteriores. Mas os resultados divulgados pelo laboratório CanSino Biologics e pela unidade de pesquisa militar da China também na revista Lancet apontaram a que resposta imune foi segura.

A vacina, chamada AD5-nCoV, usa uma versão de um adenovírus (um vírus que causa o resfriado comum). Ela não passou ainda por testes clínicos em larga escala –foi testada em menos de 600 pessoas. Mesmo sem a conclusão de todas as fases de testes, a vacina vem sendo aplicada em militares chineses (ainda não está claro se a vacinação foi obrigatória ou opcional).

Vacina de Wuhan

Também na fase três dos testes clínicos, a vacina desenvolvida pelo Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, um órgão estatal, também usa o vírus inativo. Cerca de 15 mil voluntários estão participando dos testes que são feitos nos Emirados Árabes Unidos desde o começo de julho. A vacina foi a primeira a alcançar a fase três dos testes, com sinais de resposta imune, e entre os voluntários está o próprio ministro da Saúde dos Emirados Árabes.

A vacina da Pfizer/BioNTech

A empresa alemã de biotecnologia BioNTech e a farmacêutica americana Pfizer apresentaram dados da fase 2 da vacina que estão desenvolvendo. Os testes foram realizados com cerca de 60 voluntários, que tomaram duas doses da vacina em estudo. Ela usa como base partes do código genético do novo coronavírus. As empresas preveem o início da fase 3 dos testes no final de julho.

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